Archive for the ‘Economia’ Category

Anacronismo americano

segunda-feira, maio 3rd, 2010

Anacronismo americano
CESAR BENJAMIN

O DEBATE sobre a política cambial chinesa se intensificou desde que 130 congressistas solicitaram que o governo americano declare, em relatório oficial, que a China manipula o valor da sua moeda, produzindo uma concorrência desleal que prejudica empresas e elimina empregos nos EUA. Se a solicitação for aceita, estará aberto o caminho legal para medidas de retaliação que podem gerar mais incerteza econômica em um mundo já bastante estressado. Estão em curso negociações delicadas.
A mania dos EUA de produzir relatórios unilaterais que colocam outros países no banco dos réus já criou grande número de situações ridículas, que agora podem se repetir. Os americanos deveriam ser os últimos a tocar no assunto de manipulação cambial, pois são os únicos que arbitram praticamente sem restrições o valor da sua moeda, emitida a rodo para financiar deficit que têm enorme impacto sobre todo o sistema internacional.
Os demais países têm reagido de diferentes maneiras à hegemonia desse dólar errante. Alguns, como o Brasil, liberaram a movimentação de capitais e entregaram a um mercado intrinsecamente especulativo a tarefa de fixar o valor de suas moedas, mesmo à custa de remessas crescentes e de danos aos sistemas produtivos locais. Outros, como a China, promovem uma abertura cautelosa e ordenada: sua moeda acompanha a trajetória da moeda de referência internacional, sem experimentar flutuações bruscas e sem gerar um desalinhamento cambial que comprometa o crescimento do país.
Não há movimentações especulativas de riqueza financeira na economia chinesa. E os recursos em moeda estrangeira, provenientes de exportações e de investimentos, são obrigatoriamente vendidos ao governo, que os paga em yuan, a uma taxa fixada pelo banco central. Por isso o yuan não se aprecia, gerando protestos.
A contrapartida chinesa ao sistema internacional é considerável. O país é, também, um grande importador. Suas reservas, atualmente de US$ 2,4 trilhões, são investidas, em grande parte, em títulos americanos de longo prazo, garantindo que os EUA se financiem com baixas taxas de juros. Mais de 70% das suas exportações são produzidas por companhias estrangeiras ou joint ventures.
E, por causa da integração das cadeias produtivas, a produção “made in China” movimenta todas as economias do Leste da Ásia, incluindo aliados importantes dos EUA, como Japão, Coreia do Sul, Cingapura e até mesmo Taiwan.
Estamos diante de uma disputa de novo tipo pela hegemonia, diferente dos confrontos diretos do século 20. A competição convive com uma intricada teia de interesses complementares, que ainda predominam.
Os EUA não podem ameaçar todo esse arranjo, do qual também dependem. Parecem ter dificuldades em se reposicionar. Os políticos insistem em explicações fáceis para o eleitorado, enquanto o governo mantém em vigor medidas anacrônicas. Adota, por exemplo, uma política comercial altamente discriminatória, que proíbe a venda de produtos de alta tecnologia ao país asiático.
Ao decidirem exportar para a China apenas produtos industriais comuns e bens agrícolas, os EUA abrem mão da sua maior vantagem e se condenam a ter grandes deficit.
A avareza da política comercial americana, além de anacrônica, é cada vez mais inócua: neste ano, a China ultrapassará os EUA na formação de doutores em ciências e nas engenharias. Parece que o pensamento chinês se adapta melhor a esse jogo complexo em que o tempo é um fator decisivo.

Keynes X Hayek

quinta-feira, abril 29th, 2010

Você fica de qual lado ?

Mais a respeito : http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=669

Royalties

segunda-feira, abril 26th, 2010

Acabo de ler um excelente texto sobre os Royalties do Petróleo.

Tudo começou quando a distribuição dos Royalties foi questionada. Deve ser divida igualmente entre os Estados ou incidir mais sobre o solo que deriva o petróleo ? ( cujo sistema é utilizado atualmente, só para dar um noção monetária sobre o assunto a arrecadação de royalties do Estado do Rio de Janeiro cairia de R$ 4,884 bilhões para R$ 159,6 milhões )

Eis o texto :

Royalties e compensações financeiras
Roger Agnelli ( diretor-presidente da VALE )

O DEBATE no Congresso em torno dos royalties do petróleo aproximou do cidadão comum um tema antes restrito a executivos e a governantes. De uma hora para a outra, todos passaram a ter opinião sobre o assunto. Defensores apaixonados (contra ou a favor da mudança) apresentam seus pontos de vista nos meios de comunicação, nas ruas e nas mesas de bar.
Afinal, o cidadão sabe o que está sendo discutido no Congresso? Tem conhecimento de que é ele quem paga os royalties do petróleo e a Cefem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), no caso da mineração? Tais taxas incidem sobre alimentos, fertilizantes, energia elétrica, pedra, cimento, brita, aço, minério de ferro, cobre etc.
Portanto, cada um de nós arca com uma parte dessa conta ao pagar a taxa de luz, adquirir um aparelho eletrônico, utilizar os meios de transporte, construir uma casa. Já que os recursos saem do bolso da população, é legítima a explicação do uso desse dinheiro. O mesmo vale para qualquer alteração de alíquota ou distribuição desses recursos.
Os “impostos” relativos ao petróleo e aos minerais foram criados para compensar Estados e municípios em cujos territórios tais recursos existem e são economicamente usados, bem como a União, proprietária das riquezas do subsolo nacional. A instalação de empreendimentos desse porte pressupõe aumento de população e, consequentemente, necessidade de investimento em infraestrutura para amenizar o impacto na vida dos moradores. Alguns municípios são exemplares no uso desses tributos, aplicando-os em infraestrutura e em educação, melhorando a condição de vida das pessoas. É o caso de Itabira, que tem o melhor IDH de Minas Gerais e um dos maiores do país, porque soube investir os recursos relativos à Cefem. Os royalties têm sido mais um tributo para o gasto público do que compensação para os municípios.
Mesmo assim, o Brasil desconhece se o que é pago pelas empresas é suficiente ou não para compensar o impacto das atividades de extração mineral e de petróleo. São justos os royalties do petróleo e da mineração? O percentual pago representa muito ou pouco se comparado ao praticado nos países concorrentes?
O dinheiro é utilizado de forma correta para compensar o impacto deixado pelas empresas? As atividades só causam prejuízos ou também acarretam benefícios? Talvez seja a hora de aproveitar a atenção dedicada ao tema para ampliar a discussão.
Os investimentos na mineração e na exploração do petróleo geram outros impostos? Criam empregos?
Induzem o desenvolvimento? As empresas preocupadas com a sustentabilidade também não contribuem com investimentos em cultura, em infraestrutura, em saúde, em educação e em gestão pública, além do que já pagam de royalties e de Cefem? Quem arca com os gastos em infraestrutura? Dependendo da resposta a tais perguntas, pode-se descobrir que qualquer mudança nas regras vai gerar distorções ainda maiores do que se imagina.
Todo cuidado é pouco. Queremos o desenvolvimento sustentável e a estabilidade das regras que estão dando certo. Mas o que realmente importa é que, sem investimento, não se vai a lugar algum.

Para entender melhor essa questão:

O que são royalties e como são cobrados?
De modo geral, royalty é um valor cobrado pelo proprietário de uma patente ou ainda por uma pessoa ou empresa que detém o direito exclusivo sobre determinado produto ou serviço.
No caso do petróleo, os royalties são cobrados das concessionárias que exploram a matéria-prima, de acordo com sua quantidade, e o valor arrecadado fica com o poder público.
De acordo com a legislação brasileira, Estados e municípios produtores - além da União - têm direito à maioria absoluta dos royalties do petróleo. A divisão atual é de 40% para a União, 22,5% para Estados e 30% para os municípios produtores. Os 7,5% restantes são distribuidos para todos os municípios e Estados da federação.
A justificativa para essa divisão é de que os royalties são uma espécie de compensação às administrações locais, pelo fato de o recurso ser finito. Além disso, essas localidades em tese têm mais gastos com infraestrutura e prevenção de acidentes, por exemplo.
Segundo a Agência Nacional do Petrólo (ANP), o Brasil arrecadou R$ 7,9 bilhões em royalties no ano passado.

Por que a distribuição de royalties voltou ao centro da discussão?
Com a descoberta da camada pré-sal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender novas regras para a exploração do petróleo no país.
Um dos argumentos é de que as empresas terão acesso a reservas de alto potencial e com risco exploratório perto de zero - o que justificaria um novo marco regulatório.
Foi nesse contexto que o presidente Lula apresentou, em agosto do ano passado, quatro projetos de lei propondo mudanças no setor, sendo um deles na distribuição dos royalties.
O governo Lula, que chegou a defender a distribuição igualitária dos royalties, voltou atrás diante da pressão dos Estados produtores e passou a defender um tratamento diferenciado para essas administrações.
Mas os deputados não aceitaram a proposta e aprovaram uma emenda, apresentada pelos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), Humberto Souto (PPS-RS) e Marcelo Castro (PMDB-PI), que prevê a distribuição dos royalties do pré-sal para todos os Estados da federação.
A divisão aprovada na Câmara por 369 votos a favor e 72 contrários é de que 30% dos royalties sejam destinados aos Estados, 30% aos municípios e 40% à União, sem tratamento diferenciado para os produtores.
A chamada “emenda Ibsen” foi além da camada pré-sal e estendeu a nova distribuição de royalties também às bacias tradicionais, incluindo as já licitadas.
Cálculos apresentados pelo deputado Humberto Souto mostram que o Estado do Piauí, por exemplo, poderá receber R$ 317 milhões em royalties ainda este ano, enquanto o Rio de Janeiro, maior Estado produtor, ficaria com cerca de R$ 200 milhões.

Quais são os argumentos a favor da nova distribuição?
O principal argumento dos parlamentares favoráveis à mudança das regras é de que o petróleo pertence “a todo o país”, o que justificaria uma distribuição igualitária dos royalties.
Segundo o deputado Marcelo Castro, “não interessa que a exploração seja feita de frente para o Rio de Janeiro”. Para ele, é preciso usar o petróleo para fazer “justiça social” e “reduzir desquilíbrios” regionais.
Na avaliação do deputado Ibsen Pinheiro, a exploração do petróleo é feita no mar, não havendo, segundo ele, possibilidade de danos para Estados e municípios produtores.
Ainda de acordo com o deputado, não seria “justo” privilegiar dois Estados e “prejudicar” 25. Em entrevista ao site G1, Ibsen disse que os Estados produtores “têm, no máximo, vista para o mar, que é muito privilegiada”.
Os defensores da distribuição igualitária dizem também que todos os Estados acabam pagando, por meio da União, pelas pesquisas da Petrobras e pelos testes nos poços - e por isso devem ser beneficiado com royalties.
“Essa matéria tem fundamento jurídico, fundamento moral e maioria. Nada justifica a desigualdade”, disse Ibsen, durante a votação da emenda.
Ainda de acordo com o deputado, “é justo que o petróleo pertença a todos os brasileiros, pois todos somos iguais perante a lei”. O deputado Fernando Coruja (PPS-SC) acrescentou que a regra “inverte a concentração de recursos”, permitindo que os municípios com menos dinheiro “participem da riqueza do petróleo”.

O que dizem os Estados e municípios produtores?
A emenda Ibsen tem sido fortemente criticada pelas lideranças do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que descreveram a medida como “covardia”. O governador do Rio, Sergio Cabral Filho, chegou a chorar em público ao comentar a decisão da Câmara.
Segundo ele, os deputados que votaram a favor da emenda esperando algum “benefício eleitoral” em seu Estado estão “equivocados”. Sua avaliação é de que a população brasileira será “solidária” ao Rio.
De acordo com cálculos apresentados pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), a arrecadação do Estado do Rio de Janeiro com royalties do petróleo cairia de R$ 5 bilhões para cerca de R$ 100 milhões.
O governador do Rio disse que a perda de receita afetará as obras para os Jogos Olímpicos de 2016 e convocou a população para uma caminhada no centro da cidade, na quarta-feira.
Representantes dos Estados produtores veem ainda “falhas jurídicas” na emenda, por mudar as regras de contratos já firmados, no caso dos poços que já foram licitados.
“Campos já licitados, já leiloados, não podem ter as regras mudadas, porque isso fere os princípios jurídicos, muda cláusulas de situações já consagradas”, disse o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).

Fonte: ESTADÃO

Câmbio

quinta-feira, abril 1st, 2010

Compartilho dois excelentes textos da Folha de São Paulo.

Primeiro do Delfim Neto

Ainda o câmbio

O PROFESSOR CARLOS Antonio Rocca apresentou no Centro de Estudos de Mercado de Capitais, do IBMEC (em março deste ano), um interessantíssimo trabalho, com o título “Fatores da Taxa de Câmbio do Real: Uma análise Estatística”. Nele, revela, como de costume, a sua integridade intelectual, a sua competência técnica, o seu pragmatismo e a sua cuidadosa modéstia nas conclusões.
Apenas para dar um exemplo das dificuldades de tais estudos, tomemos a moeda chinesa, o yuan. Há uma convicção generalizada, formada a partir de trabalhos com modelos apriorísticos e do uso de econometria sofisticada, de que ele está fortemente desvalorizado, o que facilitaria a invasão das exportações chinesas. Nos EUA, o Congresso, para atender à fúria dos sindicatos num ano eleitoral, está forçando Obama a declarar que a China “manipula” o seu câmbio.
Ocorre que a dúvida é geral. Basta dizer que a Goldman Sachs, cujo conhecimento dos mercados e competência são comprovados, estimou as taxas cambiais (”BRICs Monthly”, 10/02, March 16, 2010) e concluiu que “o yuan, contrário à crença popular, não parece subvalorizado contra o dólar”! Quanto ao Brasil, diz o mesmo documento: “O real é uma das moedas mais sobrevalorizadas dos emergentes (cerca de 40%)”.
O trabalho do professor Rocca não se aventura na tentativa de estimar a sobrevalorização do real. O seu objetivo secundário é tentar encontrar quais são as variáveis que provavelmente “explicam” a formação da taxa de câmbio real/ dólar e tentar medir a importância de cada uma delas. E, a partir do modelo, atingir seu objetivo principal: tentar medir o efeito da imposição do IOF de 2% sobre os investimentos estrangeiros.
O trabalho testa oito especificações e seleciona duas “melhores”, que “explicam” mais de 3/4 das variações da taxa de câmbio real/dólar: 1) o próprio valor do dólar em relação a uma cesta de moeda; 2) o diferencial de juros EUA x Brasil; e 3), alternativamente, ou os investimentos na conta financeira total, ou os investimentos em carteira.
Em relação ao seu objetivo principal (o possível efeito do IOF), o trabalho afirma: “Não há razão para acreditar que a tributação do IOF sobre os investimentos estrangeiros em carteira tenha sido eficaz para reverter a tendência de valorização do real”.
Em relação ao seu objetivo secundário (o que “explica” a taxa de câmbio), a conclusão é que “a principal variável doméstica na determinação da taxa de câmbio é o diferencial das taxas de juros Brasil x EUA”. Logo, “ações voltadas para a redução sustentável dessa taxa são mais eficazes para evitar a valorização efetiva do real”.

Segundo texto é de autoria de Alexandre Schwartsman

Síndrome da China

PARA QUEM acha que o debate sobre taxa de câmbio no Brasil é agressivo, a versão chinesa é, no mínimo, selvagem. Há pressões americanas pela revalorização do yuan, e mesmo autoridades chinesas, preocupadas com os riscos crescentes de inflação, parecem considerar de forma cada vez mais concreta a conveniência de retomar a trajetória de apreciação contínua que prevaleceu entre 2005 e 2008.
Aliás, se não fosse a atitude americana, minha impressão é que a China estaria realmente muito próxima de alterar sua política (não seu regime) cambial, permitindo a apreciação da sua moeda.
Se isso for verdade, quais seriam as implicações para o Brasil? Apesar do peso maior da China em nosso comércio internacional (destino de 13% de nossas exportações), acredito que o canal mais importante de transmissão de uma eventual apreciação do yuan se daria por meio dos preços de commodities e, portanto, dos termos de troca.
Para entender esse processo, considere o seguinte exemplo. Imagine que haja só dois países no mundo, China e Resto, comercializando entre si uma commodity (petróleo). Há também duas moedas, o yuan (CNY) e o dólar (USD), trocados a uma taxa fixa de dois yuan por dólar. O preço do petróleo corresponde a USD 100/barril, ou seja, CNY 200/ barril na China, e presumimos que, a esse preço, tanto a demanda chinesa quanto a do Resto sejam plenamente satisfeitas.
Suponha agora que a taxa de câmbio se altere, de modo que a moeda chinesa se valorize e seja necessário apenas 1,5 yuan para adquirir um dólar. Caso o preço do petróleo continue a USD 100/barril, o preço na China cairia para CNY 150/barril, mas um pouco de reflexão sugere que essa situação não seria estável. De fato, a CNY 150/barril, a quantidade demandada na China teria que aumentar, pois o petróleo ficou mais barato para o consumidor chinês. Por outro lado, com o preço em dólares a USD 100/barril, não há redução na quantidade demandada pelos consumidores de Resto, o que configuraria uma situação de excesso de demanda por petróleo.
Diante do excesso de demanda, o preço do petróleo em dólares teria que subir, digamos para USD 120/ barril, reduzindo a quantidade demandada pelo Resto (bem como a quantidade demandada na China sob a nova taxa de câmbio, que, ainda assim, permaneceria acima da quantidade demandada antes da mudança cambial), reequilibrando o mercado internacional.
O exemplo é, obviamente, muito simplificado, mas captura parte essencial do processo, qual seja, que a apreciação da moeda chinesa tende a elevar os preços em dólar de commodities. A bem da verdade, a evidência empírica sugere que o enfraquecimento do dólar (fortalecimento do yuan) é fortemente associado a preços de commodities (em dólares) mais elevados.
O Brasil, como exportador de commodities, naturalmente se beneficiaria de um aumento de seu preço em dólares. É claro que o país também as importa, mas, no balanço geral, observamos que preços mais altos de commodities se traduzem em melhora de termos de troca para o Brasil, isto é, o preço dos produtos exportados tende a crescer relativamente ao preço dos bens importados, permitindo que cada unidade exportada compre mais importações.
Num contexto de demanda doméstica crescendo mais rápido que o produto (10% ao ano ante 7% ao ano nos últimos três trimestres), pois, a revalorização do yuan seria um presente para o país. Não resolveria (como no passado não resolveu) o descompasso entre demanda e oferta domésticas, mas mitigaria bastante a pressão sobre o balanço de pagamentos.

Você pode ler mais textos do Alexandre aqui .

MILK11

terça-feira, março 23rd, 2010

Reportagem da revista IstoÉ Dinheiro.

O que está por trás do negócio GP-Parmalat

Domingo, 14 de março. O relógio na parede do escritório da GP Investimentos, na avenida Faria Lima, em São Paulo, marcava nove horas da noite quando Fersen Lambranho, presidente do grupo, e Marcus Elias, sócio da Laep, controladora da Parmalat no Brasil, terminaram de revisar os contratos e começaram a assinar os documentos para a formação de um consórcio no setor de leite.

As negociações começaram em setembro do ano passado, foram atropeladas pela entrada de outros pretendentes, como Friboi, Marfrig e Brasil Foods, mas foram concluídas no último fim de semana. E o casamento, costurado pelo advogado Paulo Aragão, um dos maiores especialistas em direito societário do País, acabava de criar uma das mais promissoras empresas de leite no Brasil, com receita estimada em R$ 1,5 bilhão e captação de mais de dois milhões de litros ao dia. Elias e Lambranho se abraçaram e passaram a preparar o fato relevante que seria divulgado ao mercado no dia seguinte.

“Agora temos uma marca com presença e credibilidade nacional”, disse à DINHEIRO o executivo Fernando Falco, presidente da Monticiano, braço do grupo GP no setor de leite. A declaração do executivo revela que a fusão foi muito mais do que um negócio de oportunidade para a GP. Maior fundo de private equity da América Latina, com mais de US$ 4 bilhões aportados em empresas de diferentes setores no Brasil, o grupo se especializou em comprar companhias em dificuldades para recuperá-las e depois revendê-las.

Mas, no caso da Parmalat, a compra é também uma necessidade para a GP. O fundo entrou no mercado de leite em 2008, quando pagou R$ 308 milhões pelos ativos da Laticínios Morrinhos, de Goiás, dona da marca Leitbom. Os planos eram ambiciosos, mas esbarraram em uma crise generalizada no setor.

Os negócios também não foram bem em 2009. Nos três primeiros trimestres do ano passado, a Monticiano acumulou prejuízo líquido de R$ 36,3 milhões. Diante das dificuldades, os executivos perceberam que, para crescer, precisariam de uma grife para agregar valor aos seus produtos – e não partir para uma guerra de preços suicida, como fazem muitos de seus concorrentes. Com a Parmalat, que há 12 anos é a marca top of mind no Brasil (a mais admirada pelos consumidores), a GP poderá vender leite convencional com uma margem até 15% superior à dos concorrentes.

“Não dá nem para comparar a Leitbom com a Parmalat. O GP vai investir em uma marca de primeira linha para aumentar sua participação no mercado”, diz Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil, principal entidade representativa do setor. “Agora sim eles estão entrando no jogo.”

Pelo acordo, a Laep, de Marcus Elias, aporta no capital da Monticiano as fábricas das empresas Glória e Ibituruna, além do direito de exploração da marca Parmalat até 2017. Em troca, ganha 40% de participação na Monticiano. Elias, que pretendia ser um consolidador no mercado, mudou de rota quando percebeu que a Parmalat estava mais para caça do que para caçador.

A empresa não teve acesso a linhas de crédito do BNDES, foi alvo de uma operação da PF e enfrentava problemas com a recuperação judicial. Mas também cometeu erros de gestão, como excesso de aquisições, sem uma estratégia definida. “Mudamos de rota e buscamos uma saída engenhosa”, disse Elias à DINHEIRO. “Agora, o mercado terá uma empresa sem problemas de crédito, com a marca mais valiosa do setor.”

A associação entre Monticiano e Parmalat formará o quinto grupo do setor, atrás de Nestlé, Brasil Foods (dono da Batavo), Itambé e Bom Gosto. Mas a empresa espera ampliar sua participação de mercado – hoje próxima a 10% – lançando leites com maior valor nutricional e pagando mais aos fornecedores. “Com o dinheiro da GP e a credibilidade da Parmalat, a parceria tende a elevar a renda no campo”, prevê Rafael Ribeiro de Lima Filho, da Scot Consultoria.

A gestão do novo negócio ficará a cargo do grupo GP e a Laep terá alguns assentos no conselho. Embora a operação marque um revés na estratégia inicial traçada por Elias, as ações de sua empresa estiveram entre as que mais subiram no Brasil em 2010 – passaram de pouco mais de R$ 0,70 para R$ 1,70 –, em razão dos rumores sobre uma possível venda.

As dívidas da companhia foram reduzidas de R$ 1,8 bilhão para R$ 22 milhões. Para reduzir o endividamento, ele vendeu ativos, como a fábrica de Carazinho, que foi alienada à Nestlé, e algumas marcas, como a Poços de Caldas e a Paulista, que foram transferidas à própria GP, um ano atrás. A última pendência era uma fábrica em Goiás, que vinha atrasando pagamentos aos pecuaristas – ela será agora arrendada à empresa Italac. “Os problemas acabaram”, diz Elias. Budista, ele recentemente ergueu um grande templo na cidade de Campos do Jordão, no interior de São Paulo, onde poderá meditar sobre sua experiência no mercado de leite e seus futuros negócios.

Milk11

quinta-feira, março 11th, 2010

Faz tempo que não escrevo da milk11 aqui por pura falta de motivação. Esse papel está me dando cabelos brancos já.

A questão é a seguinte: muita falta de informação da qual eu destaco sobre o fundo de investimento GEM que promete investir uma bela quantia no papel.

Já li muito a respeito inclusive publiquei aqui as notícias, mas na verdade ninguém sabe ao certo com relação as datas que eles vão fazer ou já fizeram a média de nove pregões, já li até que não seriam nove mas mais pregões.

Isso fez com o que o papel parasse de subir e cada vez mais caisse, essa semana foi difícil de ficar com o HB aberto. A ação voltou para um real. Volume impressionante de negócios feitos.

No dia 09/03 o papel fez

ABERTURA: 1,12 ;
MÁXIMA: 1,45 ;
MINIMA: 1,01
FECHAMENTO: 1,45.

Pessoal ficou muito doido, muitos vendendo, outros comprando, pessoas diminuindo o Preço Médio.

O certo mesmo é que a JBS fez outro comunicado dizendo que não vai comprar a empresa, e nosso querido Marcus Elias viajou a Europa para tentar vender a empresa para um fundo ou a empresa GP Investimento.

Notícia essa que ajudou o papel ficar mais movimentado ainda.

Outro fato interessante que a LAEP recebeu três pessoas do grupo que eu participo para saber mais detalhes sobre as operações .  Segundo eles foram muito bem recebido, inclusive, até pelo próprio Marcus Elias.

Novidades não tiveram nenhuma, inclusive assinaram um termo sobre sígilo e pelo que eu li não souberam nada de novo mas ficaram mais tranquilos com relação ao futuro da empresa.

Sigo comprado e com esperanças de que vai dar tudo certo.

Está bom ou quer mais?

quinta-feira, março 4th, 2010

Sim, eles querem mais.

Para quem estava se perguntando porque o Brasil está batendo o pé com relação a defesa do Irã, leia abaixo alguns bons motivos.

Reportagem da Folha de SP (03/03/10)

Exportações ao Irã crescem 76% Apesar da expansão no 1º bimestre do ano, país islâmico compra só 1% das exportações brasileiras

Setor agropecuário puxa a expansão, e Irã deve se tornar neste ano o segundo maior importador de carne bovina “in natura” do país

MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO

O estreitamento de relações políticas entre Brasil e Irã começa a dar resultados comerciais. Num momento em que o governo Lula apoia Teerã em meio à pressão mundial para o isolamento do país islâmico devido ao seu programa nuclear, as exportações brasileiras ao Irã cresceram 76% no primeiro bimestre deste ano em relação a igual período do ano passado.
No bimestre, os iranianos já gastaram US$ 217,7 milhões com compras no Brasil, deixando um superavit de US$ 215 milhões para os brasileiros.
Fábio Faria, diretor de planejamento da Secretaria de Comércio Exterior, diz que ainda há espaço para crescimento. Os iranianos receberam reforço de caixa com a recuperação dos preços do petróleo e poderão importar mais, diz ele. Hoje, a participação iraniana é de só 1% das exportações brasileiras.
As compras dos iranianos têm foco forte no agronegócio, principalmente em carnes, milho, açúcar e soja. O rol de exportações do Brasil inclui, ainda, chassi para veículos, motores elétricos, reatores e papel.
O Irã deve se consolidar como o segundo maior importador de carne bovina “in natura” do Brasil neste ano, superando mercados tradicionais como Hong Kong, Venezuela e Egito. As exportações do produto ao Irã em janeiro somaram 15,6 mil toneladas e superaram em 106% as de igual mês de 2009.
O interesse iraniano se estende também ao frango. Embora o país seja grande produtor, o consumo per capita dessa proteína subiu de 18 kg em 2004 para 24,1 kg neste ano.
A Folha apurou que a ordem que vem do Irã é para que os representantes comerciais do país aumentem as compras por aqui. Com isso, os brasileiros esperam colocar 220 mil toneladas de carne bovina “in natura” no país. Se confirmadas, essas exportações superarão em 68% as de 2009 e em 169% as de 2006. Otávio Cançado, diretor-executivo da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), diz que o Brasil tem, no momento, 40 frigoríficos produzindo carne bovina para os iranianos.

Rituais
A carne enviada àquele país tem de seguir os rituais islâmicos. Um veterinário, um degolador e um religioso, todos enviados pelo Irã, conferem se o abate segue as exigências religiosas, diz o diretor da Abiec.
A participação iraniana no mercado brasileiro é importante principalmente porque as importações são de carne “in natura”, com maior valor agregado. Enquanto a Rússia, o líder nas importações de carne brasileira, pagou US$ 2.967 por tonelada de carne em janeiro, os iranianos pagaram US$ 3.926 por tonelada.

Frango
O setor de frango também espera aumento das exportações. “O problema é que essas compras são sazonais, mas há uma vontade crescente de elevar os negócios por parte do Irã”, diz Ricardo Santin, diretor-executivo da Abef (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos). Em busca de uma expansão das vendas no mercado iraniano, a indústria brasileira enviará uma missão comercial ao país nas próximas semanas, segundo Santin.
A intenção de compra dos iranianos ficou evidente para os brasileiros em uma feira de alimentação realizada em Dubai (Emirados Árabes) no mês passado, quando a busca de negócios foi grande, segundo os participantes do evento.

Constituição e trabalho

quarta-feira, março 3rd, 2010

Constituição e trabalho

por Lucas Miguel Moraes Carnicelli

Há pouco mais de três anos foi criado o simples nacional, programa da união que visa maiores facilidades em relação a pagamentos de tributos, dessa forma expandiu a base de contribuintes e acrescentou nesta última uma significativa parcela de muitas micros e pequenas indústrias. Houve um primeiro avanço.

A partir de um congresso cujo debate tangenciou junto a pequenos e médios empresários de nosso país, que no qual foi colocado a mesa um tema polêmico e delicado, o mercado de trabalho. Ontem, hoje e no curto prazo um dos empecilhos de destaque para o aumento do nível de capacidade produtiva (recorde 85% pré-crise mundial 2007) são as leis tributárias trabalhistas.

A CLT brasileira foi constituída no governo Getúlio Vargas na década de 1950, desde este tempo aos atuais, foram realizadas apenas pequenas alterações complementares por ser considerada uma lei ordinária perfeita. Na ocasião da criação o Brasil passava por uma grande transformação estrutural. Começou então o grande processo de substituição de importação, inaugurando a economia brasileira com sua tardia industrialização. Foram criadas por intermédio da administração pública as companhias Petrobrás, Siderúrgica Nacional CSN, Cia Vale do Rio Doce “Vale”, grandes corporações emergentes a nova constituição reeditada no último governo de GV.

A iniciativa privada hoje predomina em um mercado cada vez mais livre e competitivo, dado que a micro e pequena indústria tem uma participação relevante em nosso PIB Produto Interno Bruto e emprega cerca de 90% da massa de trabalhadores ativos, algo “milagroso” se observamos as condições de operação, primeiro por temos uma taxa básica de juros a níveis fantasiosos, além disso uma pequena margem de ganho em relação ao risco, defrontam-se também com um sistema trabalhista antigo e viciado, voltado para grandes corporações do passado e do presente.

A criação de um simples trabalhista, com desculpas do trocadilho não é tão simples, entretanto uma reforma constitucional é um fator relevante, considerando o cenário conjuntural que ora, mudou, o Brasil é novamente “a menina dos olhos” dos investidores, os mesmos que o deixaram na década de 1980, portanto devemos conciliar tal crescimento, com desenvolvimento e ética, é claro contudo com uma constituição mais moderna e branda, para que nossos setores produtivos deixem de pagar salários para trabalhadores e governos, que os pague aos trabalhadores como é de mérito.

Milk11

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

Eis que surge mais uma notícia:

Marfrig também mostra interesse pela Parmalat
O empresário Marcos Molina, dono do grupo Marfrig, entrou na disputa pela compra da Parmalat, que foi colocada à venda pela Laep, sua controladora. Até agora, tanto o grupo JBS-Friboi, dono da Vigor, quanto a Brasil Foods, que possui as marcas Batavo e Elegê, já analisaram os números da empresa de laticínios. FONTE

marfrig1

A imagem acima foi tirada da revista IstoÉ , infelizmente perdi o link e não consegui achá-lo. Mas enfim, serve como adicional para notícia acima.

E lá se foram os nove pregões Por determinação do contrato, a GEM obriga-se a subscrever, em emissão privada de ações, até R$120 milhões de reais, pelo preço de subscrição equivalente a 88% da média ponderada do preço de mercado verificado nos 9 pregões posteriores à formalização da chamada de capital.”

Durante esse nove pregões o papel não andou, teve só um dia (29/01/2010) que ele andou muito bem mas no final do dia derrubaram o papel para a média que eu acredito que foi fechado aos R$2,50 +/- .

aaaaaa

Ainda não foi vinculado o valor da média, assim que eu tiver informações colocarei aqui.

Continuo comprado no papel e confiante.

MILK11

sexta-feira, janeiro 29th, 2010

LAEP INVESTMENTS bombou de notícia boa:

LAEP APROVA CONVERSÃO DE DÍVIDA EM CAPITAL
Em atendimento ao disposto no artigo 157, paragrafo 4o, da Lei 6.404/76 (“LSA”), e na Instrução n. 358/02 da Comissao de Valores Mobiliarios (“CVM”), conforme alteradas, a LAEP Investments Ltd. (“LAEP” ou “Companhia”) (MILK11), comunica aos investidores e demais participantes, que ajustou com importantes credores estratégicos, e continua negociando com outros, a conversão de dívida em capital. Na operação, serão emitidas até 137 milhões de ações Classe A, limite do capital autorizado da Companhia, a preço de mercado, conforme determinação do Conselho de Administração. Assim que encerrado o processo de negociação, a Companhia informará o valor total de dívida convertida e cancelada, bem como o total de ações emitidas. Em vista da importância estratégica da operação, e em conformidade com o Estatuto Social, não será estendido, excepcionalmente, direito de preferência ao acionista controlador e demais acionistas.
A administração da Companhia considera esta transação determinante para o seu fortalecimento no contexto das iniciativas em curso perante empresas do setor de alimentos e também do mercado financeiro e ratifica, especialmente, que manterá inalterada sua decisão de buscar soluções definitivas para o futuro estratégico de suas operações.

e

Em atendimento ao disposto no artigo 157, parágrafo 4º, da Lei 6.404/76 (“LSA”), e na Instrução n. 358/02 da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”), conforme alteradas, a LAEP Investments Ltd. (“LAEP” ou “Companhia”) (MILK11), e a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos - Em Recuperação Judicial (“Parmalat”) (LCSA3/LCSA4), comunicam aos investidores e demais participantes do mercado de capitais, em complemento aos Comunicados aos Acionistas publicados anteriormente em 28.04.09, 29.04.09 e 21.12.09, 23.12.09, a conclusão com sucesso de oferta pública de aquisição da totalidade das ações de Parmalat (“OPA de Fechamento”), tanto ordinárias (LCSA3) como preferenciais (LCSA4). Foi apresentado, nesta data, pedido à CVM para o cancelamento do registro de companhia aberta da Parmalat, tendo em vista a conclusão dos procedimentos processuais.

e anunciou uma assembléia para fevereiro!!!