Irã e proliferação nuclear

março 9th, 2010

Lindo texto.

Irã e proliferação nuclear

A SECRETÁRIA de Estado dos EUA, Hillary Clinton, esteve no Brasil na semana passada para convencer nosso governo a apoiar novas sanções econômicas contra o Irã, mas não obteve êxito. Talvez porque os interesses do Brasil nesse caso não sejam os mesmos dos EUA, ou porque nossa avaliação do problema da proliferação nuclear seja diferente da americana.
Depois do Iraque e de suas armas de destruição em massa, o Irã se tornou “o grande problema” da política internacional, e os Estados Unidos e a Europa ameaçam esse país com novas sanções, porque estaria construindo capacidade nuclear. Tenho dúvidas de que seja essa a motivação principal contra o Irã, dada a “lógica” da política internacional americana desde o 11 de Setembro, mas não vou me ater a essa questão.
A pergunta mais importante é: será que o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares é tão relevante para a paz mundial? Há um pressuposto tácito entre os bem pensantes de todo o mundo de que o tratado é fundamental para a paz, de forma que ninguém se dispõe a discuti-lo, mas é preciso fazê-lo.
Dois são seus objetivos formais: impedir que novos países se tornem capazes de produzir armas atômicas e promover o desarmamento nuclear dos países potências nucleares. Entretanto, significativamente, nenhum desses dois objetivos definidos em 1970 está sendo cumprido. Depois do tratado, a Índia, o Paquistão, Israel e provavelmente a Coreia do Norte se tornaram potências nucleares. E não houve sanções maiores contra os três primeiros países. Por outro lado, não tenho notícia da redução que o tratado previa dos arsenais atômicos dos grandes países.
Embora isso não esteja escrito, o objetivo maior do tratado é impedir que “países irresponsáveis” se armem nuclearmente. É impossível não estar de acordo com essa ideia. Mas o que é um país responsável? Por que o Paquistão e Israel são responsáveis enquanto o Irã não é? Não tenho dúvida quanto ao perigo de um país como a Coreia do Norte, enquanto é difícil, para mim, ver mais perigo no Irã do que, por exemplo, no Paquistão. O Irã é um grande país, herdeiro de uma civilização milenar. Entre os países do Oriente Médio, só a Turquia se compara a ele em termos de desenvolvimento. E é um país que se sente gravemente ameaçado desde que realizou sua revolução nacionalista e islâmica, em 1979.
A questão da ameaça é importante. Os grandes países não cumpriram o tratado, não se desarmaram, porque isso não é do seu interesse nem, creio eu, do interesse do resto do mundo. Ainda que haja outras razões para a paz mundial existente entre os grandes países desde 1945, a “détente” nuclear continua a ser uma delas. Nenhum país ousa atacar outro que tenha força nuclear. Ora, se a posse de armas atômicas é uma boa razão para a Rússia ou a para China não atacarem os EUA e vice-versa, por que não seria também uma boa razão para Israel não atacar o Irã e vice-versa? Os israelenses não tiveram dúvida quanto a essa questão. Por que os iranianos teriam menos legitimidade em ter a mesma opinião?
As armas nucleares são um perigo para todo o mundo, mas são também uma razão para que potências nucleares não façam mais guerras entre si. Não vivemos no mundo perfeito dos nossos sonhos, mas isso não se deve à existência de armas nucleares. O mundo tem problemas muito mais graves do que a eventual entrada do Irã no clube das potências nucleares. Vamos tratar desses problemas e deixar o Irã em paz.


LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de “Globalização e Competição”.
Internet: www.bresserpereira.org.br

Está bom ou quer mais?

março 4th, 2010

Sim, eles querem mais.

Para quem estava se perguntando porque o Brasil está batendo o pé com relação a defesa do Irã, leia abaixo alguns bons motivos.

Reportagem da Folha de SP (03/03/10)

Exportações ao Irã crescem 76% Apesar da expansão no 1º bimestre do ano, país islâmico compra só 1% das exportações brasileiras

Setor agropecuário puxa a expansão, e Irã deve se tornar neste ano o segundo maior importador de carne bovina “in natura” do país

MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO

O estreitamento de relações políticas entre Brasil e Irã começa a dar resultados comerciais. Num momento em que o governo Lula apoia Teerã em meio à pressão mundial para o isolamento do país islâmico devido ao seu programa nuclear, as exportações brasileiras ao Irã cresceram 76% no primeiro bimestre deste ano em relação a igual período do ano passado.
No bimestre, os iranianos já gastaram US$ 217,7 milhões com compras no Brasil, deixando um superavit de US$ 215 milhões para os brasileiros.
Fábio Faria, diretor de planejamento da Secretaria de Comércio Exterior, diz que ainda há espaço para crescimento. Os iranianos receberam reforço de caixa com a recuperação dos preços do petróleo e poderão importar mais, diz ele. Hoje, a participação iraniana é de só 1% das exportações brasileiras.
As compras dos iranianos têm foco forte no agronegócio, principalmente em carnes, milho, açúcar e soja. O rol de exportações do Brasil inclui, ainda, chassi para veículos, motores elétricos, reatores e papel.
O Irã deve se consolidar como o segundo maior importador de carne bovina “in natura” do Brasil neste ano, superando mercados tradicionais como Hong Kong, Venezuela e Egito. As exportações do produto ao Irã em janeiro somaram 15,6 mil toneladas e superaram em 106% as de igual mês de 2009.
O interesse iraniano se estende também ao frango. Embora o país seja grande produtor, o consumo per capita dessa proteína subiu de 18 kg em 2004 para 24,1 kg neste ano.
A Folha apurou que a ordem que vem do Irã é para que os representantes comerciais do país aumentem as compras por aqui. Com isso, os brasileiros esperam colocar 220 mil toneladas de carne bovina “in natura” no país. Se confirmadas, essas exportações superarão em 68% as de 2009 e em 169% as de 2006. Otávio Cançado, diretor-executivo da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), diz que o Brasil tem, no momento, 40 frigoríficos produzindo carne bovina para os iranianos.

Rituais
A carne enviada àquele país tem de seguir os rituais islâmicos. Um veterinário, um degolador e um religioso, todos enviados pelo Irã, conferem se o abate segue as exigências religiosas, diz o diretor da Abiec.
A participação iraniana no mercado brasileiro é importante principalmente porque as importações são de carne “in natura”, com maior valor agregado. Enquanto a Rússia, o líder nas importações de carne brasileira, pagou US$ 2.967 por tonelada de carne em janeiro, os iranianos pagaram US$ 3.926 por tonelada.

Frango
O setor de frango também espera aumento das exportações. “O problema é que essas compras são sazonais, mas há uma vontade crescente de elevar os negócios por parte do Irã”, diz Ricardo Santin, diretor-executivo da Abef (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos). Em busca de uma expansão das vendas no mercado iraniano, a indústria brasileira enviará uma missão comercial ao país nas próximas semanas, segundo Santin.
A intenção de compra dos iranianos ficou evidente para os brasileiros em uma feira de alimentação realizada em Dubai (Emirados Árabes) no mês passado, quando a busca de negócios foi grande, segundo os participantes do evento.

Constituição e trabalho

março 3rd, 2010

Constituição e trabalho

por Lucas Miguel Moraes Carnicelli

Há pouco mais de três anos foi criado o simples nacional, programa da união que visa maiores facilidades em relação a pagamentos de tributos, dessa forma expandiu a base de contribuintes e acrescentou nesta última uma significativa parcela de muitas micros e pequenas indústrias. Houve um primeiro avanço.

A partir de um congresso cujo debate tangenciou junto a pequenos e médios empresários de nosso país, que no qual foi colocado a mesa um tema polêmico e delicado, o mercado de trabalho. Ontem, hoje e no curto prazo um dos empecilhos de destaque para o aumento do nível de capacidade produtiva (recorde 85% pré-crise mundial 2007) são as leis tributárias trabalhistas.

A CLT brasileira foi constituída no governo Getúlio Vargas na década de 1950, desde este tempo aos atuais, foram realizadas apenas pequenas alterações complementares por ser considerada uma lei ordinária perfeita. Na ocasião da criação o Brasil passava por uma grande transformação estrutural. Começou então o grande processo de substituição de importação, inaugurando a economia brasileira com sua tardia industrialização. Foram criadas por intermédio da administração pública as companhias Petrobrás, Siderúrgica Nacional CSN, Cia Vale do Rio Doce “Vale”, grandes corporações emergentes a nova constituição reeditada no último governo de GV.

A iniciativa privada hoje predomina em um mercado cada vez mais livre e competitivo, dado que a micro e pequena indústria tem uma participação relevante em nosso PIB Produto Interno Bruto e emprega cerca de 90% da massa de trabalhadores ativos, algo “milagroso” se observamos as condições de operação, primeiro por temos uma taxa básica de juros a níveis fantasiosos, além disso uma pequena margem de ganho em relação ao risco, defrontam-se também com um sistema trabalhista antigo e viciado, voltado para grandes corporações do passado e do presente.

A criação de um simples trabalhista, com desculpas do trocadilho não é tão simples, entretanto uma reforma constitucional é um fator relevante, considerando o cenário conjuntural que ora, mudou, o Brasil é novamente “a menina dos olhos” dos investidores, os mesmos que o deixaram na década de 1980, portanto devemos conciliar tal crescimento, com desenvolvimento e ética, é claro contudo com uma constituição mais moderna e branda, para que nossos setores produtivos deixem de pagar salários para trabalhadores e governos, que os pague aos trabalhadores como é de mérito.

E a China hein?

março 1st, 2010

Acabo de ler um texto bem interessante sobre a China e quero compartilhar .

Será que a China vai se redimir?

Jonathan Porritt

O resultado da conferência climática de Copenhague ainda repercute em todo o mundo. E não são apenas as ONGs e os acadêmicos que estão irritados – muitos governos também se mostraram frustrados com os resultados. E a maioria das pessoas concorda que a China é o principal vilão.

Na conferência, a China lutou furiosamente para impedir qualquer acordo global de transparência em relação às emissões de carbono. Ao manipular seu papel como suposta defensora dos países pobres, a China elaborou uma versão tão enfraquecida do acordo que a plenária final da conferência conseguiu apenas “mencionar” sua existência, em vez de endossá-la. Talvez mais preocupante que isso tenha sido a recusa chinesa em permitir a inclusão de metas de longo prazo no acordo – mesmo aquelas que já haviam sido aceitas pelos EUA e a UE. A China, segundo foi dito, mobilizou-se para proteger sua posição futura como maior economia do mundo.

É difícil conciliar tudo isso com a ideia de que a China está buscando a sustentabilidade. Durante os últimos anos, a mídia ocidental enfatizou o recente entusiasmo do país pelo meio ambiente. Seu pacote de estímulo de 2009, por exemplo, é considerado um dos mais verdes do mundo, e o HSBC estima que 40% dos US$ 600 bilhões (R$ 1,8 trilhão) alocados pelo país têm algum benefício para a sustentabilidade. Então, qual é a verdadeira China?

China poluidora ou China verde?
Na China, a lista de calamidades ambientais é longa. O câncer é hoje a principal causa de morte – matando 80% mais pessoas do que há 30 anos. Alguns tipos de câncer, como o de pulmão, fígado e estômago, têm sido relacionados aos altos níveis de poluição no ar e na água. Isso não é uma surpresa, considerando que cerca de 3.600 quilômetros quadrados de terra se transformam em deserto todos os anos, principalmente por causa do excesso de pastagens, e que tempestades de areia severas costumam atrapalhar a vida nas cidades. Os níveis de água estão caindo em todo o país. E há dezenas de milhares de protestos civis todos os anos contra a devastação ambiental.

Os líderes da China não pensam em se desculpar. O país tem uma economia que busca o crescimento antes de mais nada – e quem é capaz de argumentar contra o objetivo de eliminar a extrema pobreza e melhorar o padrão de vida do resto da população? Mas a destruição do capital natural da China é tão profunda que a viabilidade de seu modelo econômico está agora em risco.

Os chineses estão conscientes do perigo. A maioria dos observadores da China argumenta que, apesar do comportamento do país em Copenhague, suas lideranças têm uma compreensão sofisticada do impacto da mudança climática e da ameaça que ela representa à sua prosperidade. Longe de negar tudo isso, os líderes da China têm a intenção de desenvolver um caminho pioneiro em direção a uma economia de baixas emissões. Há duas principais frentes: tornar mais sustentável a infraestrutura já existente e construir novas indústrias baseadas em tecnologias sustentáveis. O objetivo é transformar a China numa “oficina verde para o mundo”, garantindo, no processo, empregos muito mais especializados e com maior valor agregado.

Nenhuma dessas melhorias à infraestrutura existente, entretanto, transformará a China numa economia de baixas emissões. É necessário algo mais radical, e a solução está num caminho paralelo, que inclui tanto a energia renovável quanto a nuclear , além de outras tecnologias verdes.

A revolução da energia renovável
O objetivo do país é gerar 15% de sua energia a partir de fontes renováveis até 2020. A China tem uma situação ideal para explorar a energia eólica tanto no mar quanto em terra, mas outras tecnologias também estão sendo expandidas. A meta de energia solar para 2020 é de 9 mil megawatts de capacidade – 75 vezes mais do que sua pequena produção de 120 megawatts. Em outros locais, fontes de biomassa, hidrelétricas e geotérmicas também deverão receber grandes investimentos. O HSBC estima que a o mercado potencial de energia renovável em 2020 deverá chegar a US$ 2 trilhões, e a China está concentrada tanto nesses mercados internacionais quanto em seu próprio desafio energético.

A sustentabilidade é mais fácil para as autocracias
Embora seja difícil comentar o assunto, a falta de democracia na China dá ao país uma vantagem significativa em sua revolução sustentável. É muito mais fácil planejar na China; as autoridades não têm problemas para decidir onde colocarão uma fazenda de moinhos de vento. E planejar a longo prazo, para os próximos 40 ou 50 anos, é muito mais fácil quando não há uma eleição à frente.

Mas, é claro, nada é tão simples. As ordens de Beijing são com frequência ignoradas no nível local. Reverter a terrível força da economia industrial está se mostrando um imenso desafio. Além disso, os políticos da China não podem simplesmente ignorar a opinião pública. A classe média chinesa não quer descer um degrau na escada do consumo depois de ter acabado de colocar os pés sobre ela, e os pobres ainda esperam que o governo os coloquem nela rapidamente. Os líderes temem que a população se irrite quanto aos assuntos econômicos mais do que em relação a qualquer tema ambiental.

O primeiro teste real será o próximo plano da China para os próximos cinco anos, de 2011 a 2015. Em novembro de 2009, o Conselho Chinês para a Cooperação Internacional em Meio Ambiente e Desenvolvimento apresentou ao premiê Wen Jiabao um projeto de baixas emissões para inclusão no plano. Um de seus cenários é um projeto que muda pouco os negócios e enfatiza a prosperidade, resultando em emissões de 13 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano em 2050. Há também um “cenário aprimorado de baixas emissões” segundo o qual elas atingiriam seu pico em 2025 e depois seriam reduzidas para 5 bilhões de toneladas por ano em 2050.

Entre esses dois cenários, e os 8 bilhões de toneladas por ano que os separam, está o futuro da civilização humana. Resumindo, não haverá um futuro sustentável e justo para a humanidade a menos que a China o torne possível.

(Jonathon Porritt é diretor fundador do Fórum para o Futuro e autor de “Capitalism as If the World Matters: Revised Edition 2007”).

Tradução: Eloise De Vylder

Google FAIL

fevereiro 26th, 2010

Folha de São Paulo ontem publicou duas noticias sobre o google.

Itália condena empresa por violar privacidade

DA REDAÇÃO

Um tribunal italiano condenou ontem a seis meses de prisão três altos executivos do Google por terem deixado no ar um vídeo amador no qual um garoto autista aparecia sendo agredido e insultado por colegas de turma…
…As imagens que causaram o processo foram gravadas em 2006 com uma câmara de celular e mostram quatro adolescentes dando socos, empurrando e xingando um colega em um colégio de segundo grau em Turim. A gravação ficou no Google Vídeos durante dois meses.
A família da vítima retirou a queixa, mas a Vivi Down, ONG de defesa de pessoas com síndrome de Down, manteve o processo -embora o garoto não portasse a síndrome, a organização se disse lesada com a divulgação do vídeo, em que o menino é chamado de “mongolóide”. O juiz acatou denúncias por cumplicidade de difamação e atentado à vida privada…

Europa inicia investigação sobre o Google

A União Europeia abriu uma investigação preliminar sobre os serviços de busca do Google e a publicidade ligada a pesquisas na internet, depois que três sites que atuam na mesma área reclamaram da empresa.
As reclamações feitas pelos sites de buscas especializadas Foundem, ejustice.fr e Ciao (comprado recentemente pela rival Microsoft) se encaixam basicamente em duas categorias. A primeira alegação é a de que o Google rebaixa propositadamente a posição desses sites no seu serviço de buscas…
…O Google sustenta que os serviços criados pela empresa só aparecem com destaque nas buscas se eles são populares.
As reclamações feitas para os órgãos reguladores da UE mostram a frustração crescente entre os rivais com a força do Google no mercado de publicidade ligada a buscas na internet e com suas práticas comerciais.

FHC x LULA

fevereiro 23rd, 2010

Sem medo do passado

(Artigo publicado nos jornais “Estado de São Paulo” e “ O Globo”)

Fernando Henrique Cardoso

“O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que, se a oposição ganhar, será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá: “O Brasil sou eu!” Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote — o governo do PSDB foi “neoliberal” — e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas, os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas, Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal.

Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI — com aval de Lula, diga-se — para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010: “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha seis milhões de barris de reservas. Dez anos depois produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa Escola atingiu cerca de cinco milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras seis milhões, já com o nome de Bolsa Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da Aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o ensino fundamental quase 100% das crianças de 7 a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de três milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas, se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.”

MILK11

fevereiro 19th, 2010

Hoje é dia de assembléia geral ( AGE ), começará as dez horas da manha. Muito confiante para excelentes notícias. Tomará que FR ( fatos relevantes ) sejam anunciados.

A AGE será só entre os principais e maiores compradores da ação. Dizem que o BRADESCO estará lá e que eles estão bem comprado com um preço médio ( PM ) acima de dois reais, li tal informação num forum, sem fonte confiável, mas espero que seja isso mesmo.

A ação caiu muito durante esses ultimos dias, chegou a bater R$1,67 e ontem fechou R$1,85, acima do fechamento de anterior R$1,81.

Ontem , particularmente, acompanhei mais a ação e o que fez ela andar de lado foram Oferta de Vendas ( OV ) muito altas, acima dos 90k. MILK11 não tem tanta liquidez assim mesmo com número de negócios acima dos dois mil diários.

Termino o post com uma notícia:

SÃO PAULO - A Laep Investments anunciou que iniciou negociações buscando a liquidação antecipada da recuperação judicial de sua controlada Parmalat junto aos credores remanescentes.

A companhia alertou, no entanto, que as negociações ainda não foram concluídas e que dependem, dentre outros fatores, da adesão aos termos e condições propostos para a liquidação antecipada.

Segundo comunicado divulgado pela empresa, essa antecipação das negociações decorre de uma sequência de eventos, como capitalização da empresa pela Global Yield Fund Limited, no valor de R$ 120 milhões, a liquidação dívidas via conversão em capital, e a conclusão da Oferta Pública de Aquisição (OPA) e o efetivo fechamento de capital de Parmalat Brasil S.A..

“A companhia informa que continua com o processo de reestruturação de suas operações e que considera o conjunto dessas iniciativas determinante para o seu fortalecimento no presente contexto conjuntural e ratifica, especialmente, que manterá inalterada sua decisão de buscar soluções definitivas para o futuro estratégico de suas operações”, concluiu a Laep em comunicado. FONTE

MILK11

fevereiro 11th, 2010

Revista Exame tem uma reportagem sobre a PARMALAT e dá a venda como certa!

Como derrubar o valor de uma empresa

Os passos que levaram ao encolhimento da Parmalat no Brasil e a aproximaram de um desfecho praticamente inevitável - a venda para uma concorrente
Por LUCAS AMORIM | 04.02.2010 | 11h07

História de sucesso nos anos 90, a Parmalat brasileira transformou- se na protagonista de um dos mais rumorosos casos de empresa em processo de lento, doloroso e constante declínio. Os fatos recentes traçam um cenário inconteste.

* Sua lista de produtos, que chegou a ter 100 itens, como creme de leite e sucos, agora tem apenas um - o tradicional e pouco rentável leite longa vida.
* Nos últimos três meses os produtos da marca chegaram a faltar em algumas das maiores redes de varejo, e fornecedores de leite com pagamentos atrasados forçaram o fechamento de uma de suas cinco fábricas, em Goiás.
* De janeiro a setembro de 2009, as receitas da companhia foram de 900 milhões de reais - queda de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Não é pouca coisa em termos de más notícias. O declínio levantou rumores sobre uma possível venda da Parmalat - graças a eles, no início deste ano as ações do fundo de investimento Laep, controlador da empresa desde 2006, dobraram de valor em apenas três dias. No final de janeiro, o fundo Global Yield Fund Limited, da Global Emerging Markets, fez um aporte de 120 milhões de reais para se tornar sócio da companhia (trata-se do primeiro investimento do fundo no país). É um paliativo, mas não um remédio definitivo, segundo analistas. “É uma solução temporária”, diz um executivo do setor. “A empresa dificilmente vai se levantar sozinha.”

O cenário é diametralmente oposto ao desenhado pelo financista Marcus Elias, dono do Laep, ao comprar a Parmalat, há pouco mais de três anos. Com um histórico de viradas bem-sucedidas na locadora de veículos Unidas e na fabricante de alimentos Gomes da Costa, Elias prometeu aos investidores repetir o roteiro. Para isso ele compraria concorrentes, ganharia participação de mercado e criaria a Integralat, empresa que teria o objetivo de melhorar o perfil genético do gado brasileiro e fun cionaria como grande fornecedora de lei te da Parmalat. O plano seria financiado com mais de 1 bilhão de reais levantados na abertura de capital da Laep. Co mo quase sempre acontece com os planos de negócios, o modelo proposto por Elias fazia todo sentido. Como muitas vezes também acontece, na prática nada saiu como planejado. A começar pelo IPO, realizado em 2007, que rendeu metade do previsto. A partir daí, uma sucessão de decisões foi enfraquecendo cada vez mais a companhia. Em vez de aplicar 60% do dinheiro obtido na abertura de capital na Integralat, como prometera, a Laep se lançou às compras - e decidiu abrir a carteira justamente quando o preço do leite batia recordes. Em setembro de 2008, menos de quatro meses depois de adquirir as marcas Poços de Caldas e Paulista, que pertenciam à Danone, a Laep as revendeu à Leitbom, controlada pela GP Investimentos. Na época, durante uma teleconferência com investidores, o próprio Marcus Elias admitiu ter errado o momento da expansão. Procurados por EXAME, nem o empresário nem o atual presidente da companhia, o executivo Othniel Lopes, concederam entrevista sob a justificativa de que a Laep está em período de silêncio.

NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS, a Parmalat acumulou prejuízos superiores a 600 milhões de reais. “Boa parte das perdas veio de puro descontrole na gestão”, diz um executivo próximo à companhia. Esse descontrole teria sido crítico até 2008, quando a Parmalat teve perdas recordes. Até aquele ano, os executivos da companhia não conseguiam identificar quais os produtos mais rentáveis ou as fábricas menos lucrativas. O planejamento logístico, algo vital para uma empresa com centenas de fornecedores e, naquela época, 14 fábricas em cinco regiões do país, era falho. Em alguns casos o leite rodava 4 000 quilômetros do produtor ao supermercado. “Descuidos como esses são comuns em empresas brasileiras”, diz Jean-Claude Ramirez, consultor da Bain&Company. “Os executivos se preocupam em ganhar participação de mercado, que é o lado mais sexy, e deixam a eficiência em segundo plano.”

Pródiga ao investir o dinheiro levantado no IPO e ineficiente na operação, a Parmalat ficou sem reservas para suportar momentos de baixa do mercado. Em agosto de 2009, quando o preço do leite despencou devido ao superabastecimento do mercado, a Parmalat se viu financeiramente acuada. Em setembro, reuniu seus principais credores - oito empresas, como Tetra Pak e Klabin, além de 300 produtores de leite - e renegociou o pagamento de uma dívida que se arrasta há quatro anos. Até então, a Parmalat vinha fazendo pagamentos mensais aos credores no valor total de 4 milhões de reais. A partir da reunião, começou a pagar apenas um quarto dessa quantia. Ainda assim, não deu conta de entregar a parcela de dezembro a um grupo de produtores de leite de Goiás, que bloquearam a entrada da fábrica na cidade de Santa Helena e interromperam a produção. Para manter a operação das outras fábricas, a Parmalat abandonou a venda de produtos de maior valor e se concentrou no mercado de leite básico, que garante giro mais rápido, mas traz apenas 1 centavo de lucro por caixinha. Quem financia a operação são os próprios varejistas. “A Parmalat primeiro recebe os pedidos para só depois fabricar os produtos”, diz Everton Muffato, da rede de supermercados paranaense Muffato, a nona maior do país. “Os concorrentes entregam uma encomenda em dois dias, mas eles levam até 40.”

Não há sinal mais evidente da perda de valor da Parmalat do que a venda de seus ativos - um processo de “desmanche” que se acelerou em 2009. Em fevereiro, transferiu sua fábrica de Pernambuco para a Laticínios Bom Gosto. Em abril, a empresa vendeu as fazendas que compunham a Integralat, por valor não divulgado, para a Companhia Brasileira de Agronegócio e Alimentos. Sete meses depois repassou para a Nestlé sua principal fábrica, localizada em Carazinho, no Rio Grande do Sul. Hoje restam cinco fábricas - uma em Goiás, uma no Rio de Janeiro, uma em Minas Gerais e duas em São Paulo. Todas estão à venda. O que resta de mais valioso para a Laep é a marca Parmalat, que apesar de todos os problemas continua a ser a mais lembrada do país. Detalhe importante: sua licença de uso expira em 2017. “Os problemas de gestão da empresa vão acabar, pouco a pouco, minando a marca”, diz José Roberto Martins, da consultoria Global Brands. É o que de pior poderia acontecer com a Laep.

O passo a passo da crise

Os erros que levaram à atual situação da Parmalat

1) DESCUIDAR DOS CUSTOS
Até 2008, a Parmalat não conseguia identifi car qual produto dava lucro ou prejuízo. Em alguns casos, a logística tornava algumas operações, como a do Nordeste, inviáveis. O leite chegava a rodar até 4 000 quilômetros para ir dos produtores aos varejistas

2) IR ÀS COMPRAS NA HORA ERRADA
A empresa decidiu comprar as marcas Poços de Caldas e Paulista, ambas da Danone, no início de 2008 - justamente o ano em que o preço do leite bateu recordes. O faturamento, que girava em torno de 170 milhões de reais ao mês, não era sufi ciente para pagar as dívidas e a companhia foi forçada a dar meia-volta. Menos de quatro meses depois das aquisições, a Parmalat teve de revender as duas marcas para a Leitbom, controlada pela GP Investimentos

3) NÃO CUMPRIR O TRATO COM OS ACIONISTAS
Quando levantou 500 milhões de reais na abertura de capital, no fi m de 2007, a Laep prometeu investir 60% do valor na Integralat, empresa que abasteceria a Parmalat com leite próprio. Mas 80% do dinheiro foi investido em aquisições e para manter a operação. Contrariado, o fundo Gavião Investment, que detinha cerca de 24% das ações, vendeu sua participação na Laep em 2008

4) ABRIR ESPAÇO PARA A CONCORRÊNCIA
Sem fôlego para manter a própria operação em funcionamento, em novembro de 2009, a Laep vendeu à Nestlé, - que até então não atuava nesse mercado - sua principal fábrica, no município gaúcho de Carazinho. A unidade tem capacidade de suprir 10% do consumo nacional

5) ABANDONAR PRODUTOS DE MAIOR VALOR
No final de 2009, a Parmalat abandonou a venda de leites especiais e se concentrou no leite básico, que garante uma venda mais rápida, diminuindo os estoques e aumentando o giro - mas estrangula as margens. O lucro não passa de 1 centavo por caixinha.

A ação da milk11 hoje fechou a 2,0X . Isso me preocupa um pouco, mas dia 19.02 tem assembleia geral, espero ouvir novidades para a milk voltar a subir.

O bom mesmo é que a quantidade de negócios se mantém forte.

Milk11

fevereiro 3rd, 2010

Eis que surge mais uma notícia:

Marfrig também mostra interesse pela Parmalat
O empresário Marcos Molina, dono do grupo Marfrig, entrou na disputa pela compra da Parmalat, que foi colocada à venda pela Laep, sua controladora. Até agora, tanto o grupo JBS-Friboi, dono da Vigor, quanto a Brasil Foods, que possui as marcas Batavo e Elegê, já analisaram os números da empresa de laticínios. FONTE

marfrig1

A imagem acima foi tirada da revista IstoÉ , infelizmente perdi o link e não consegui achá-lo. Mas enfim, serve como adicional para notícia acima.

E lá se foram os nove pregões Por determinação do contrato, a GEM obriga-se a subscrever, em emissão privada de ações, até R$120 milhões de reais, pelo preço de subscrição equivalente a 88% da média ponderada do preço de mercado verificado nos 9 pregões posteriores à formalização da chamada de capital.”

Durante esse nove pregões o papel não andou, teve só um dia (29/01/2010) que ele andou muito bem mas no final do dia derrubaram o papel para a média que eu acredito que foi fechado aos R$2,50 +/- .

aaaaaa

Ainda não foi vinculado o valor da média, assim que eu tiver informações colocarei aqui.

Continuo comprado no papel e confiante.

Assalto

janeiro 30th, 2010

Tentativa de assalto filmada.